Amanheceu. A garrafa está vazia e o mundo, levemente torto — como deve ser. O peso leve do dia seguinte Há ressacas que doem no corpo e outras que doem na alma. As primeiras se curam com café e silêncio; as segundas, talvez, só com perdão. O curioso é que, em ambos os casos, o vinho tem culpa e inocência ao mesmo tempo. Ele nunca prometeu felicidade eterna — apenas algumas horas de esquecimento elegante. Mas quem é que sabe parar quando o mundo começa a parecer gentil? O vinho é o amigo que te escuta, te entende e depois te entrega às consequências. E, na manhã seguinte, te olha com o mesmo carinho, como quem diz: “eu te avisei, mas te amei mesmo assim.” O lado filosófico da dor de cabeça A ressaca é o corpo tentando lembrar o que o coração quis esquecer. É o preço da entrega, a fatura da leveza. E ainda assim, há algo profundamente humano em acordar com a boca seca e a alma cheia de metáforas. O bom bebedor não se arrepende — ele contempla. Senta na ...